Boi da montanha

João Mendes Rio

É preciso galgar lentamente

O misterioso espaço das estrelas

Fazer silenciosamente

O caminho dos bichos

Andar de ninho a ninho

Subir sozinho ao cume da montanha

E nela transformar-se em rocha

E dela derivar-se em água

Sobre ela pairar

Como o cheiro de todas as orquídeas  2x

Diferentes seres

Surpreendentes teres

Tantas de tão variadas cores

Tantas de tão variadas cores

 

É preciso deslizar

Sobre o ventre macio

Do amor da mulher amada

Como quem degusta os sabores de frutos

O mel da flor, Pétalas pintadas,

Abelhas coloridas pingando própolis

Em suas próprias feridas

Dar repouso ao pouso

Dar o arco a flecha

Dar silêncio ao som

Dar o toque ao tato

Amar o fato de ser só

Ser somente o ato

De ter a paz dos vegetais

Dos vôos silenciosos dos pássaros

Do sono sereno de uma criança dormindo...

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